70 anos de EMEI Monteiro Lobato

 

Sejam todos bem-vindos a esse espaço, onde serão compartilhadas as histórias de vida, que vêm sendo compiladas, por meio da escuta, escrita e narração, de toda a equipe que compõem a EMEI Monteiro Lobato. Todo esse movimento delicado de registro das narrativas nasceu para comemorar os 70 anos da Escola Municipal de Educação Infantil Monteiro Lobato. Criada em 1932, pelo escritor Mário de Andrade, no bairro de Higienópolis, ao lado da praça Buenos Aires, a ideia era que a escola de educação infantil fosse mesmo, um parque, um quintal. Assim, nascida para ser uma "escola parque", a EMEI continua sua sina de ser um grande quintal, aberto às famílias e ao diálogo. O esforço de toda essa comunidade escolar, em pensar uma educação ligada à natureza, que conduza ao respeito das identidades e gêneros vêm até mesmo, sendo atacado por conservadores, pois a escola é um quintal aberto para todas essas discussões, mas num terreno fértil de muita amorosidade. Tanto é que as histórias de vida que aqui serão compartilhadas, ilustram esse Brasil, machista e racista, na sua estrutura, desde seu nascimento oficial como nação. As pessoas que foram ouvidas e ainda estão sendo ouvidas, nesse projeto, contam as histórias apagadas e as histórias que o Brasil conservador não quer ouvir. Mas como espaço de educação consciente, a EMEI quer abrir os ouvidos e o coração, para essa escuta criteriosa, consciente e amorosa. Dessa forma, foi convidada a trazer seu olhar artístico, a narradora de histórias e poeta, Elaine Dauzcuk, que procura sempre por uma postura de respeito às culturas, etnias e lugares de fala. Afinal de contas, a narração de histórias, em sua essência é uma arte da palavra, de profundo respeito do narrador à palavra ouvida e registrada, na memória e hoje em dia, também na escrita, com poesia, sim, mas sem anular a cultura, o tempo, o espaço e os lugares de origem dessa palavra escutada. Não existe neutralidade, até porque a própria escrita jamais dará conta do real e de todos os olhares infinitos sobre esse real e até mesmo, sobre o que se entende por real. É necessário, contudo, fazer escolhas. A decisão da equipe da EMEI Monteiro Lobato foi dar voz às histórias apagadas ou caladas e a da narradora de histórias, nesse mesmo compasso da escola, foi o de acrescentar ainda, o comprometimento delicado, em jamais divulgar uma história, sem que o dono ou dona dessa narrativa, a tenha escutado, lido e apontado todo e qualquer possível desconforto. Quem conta sua história já a reinventa. Quem a escuta, escreve e depois reconta, a partir de um texto literário, reinventa mais ainda. No entanto, a narradora e poeta, que realiza esse trabalho, mantém ao menos, o comprometimento de buscar a essência, a partir logicamente, de seu olhar e de suas palavras, de todas essas narrativas. Contando sempre, com a aprovação, nascida do coração, de cada pessoa que está sendo ouvida, nesse projeto, sabendo que seremos sempre falhos, mesmo mantendo o esforço, como o norte. Portanto, sejam bem-vindos mais uma vez à essa grande roda de histórias. Uma escola é feita não só de muros, pátios e parques, mas principalmente, das tantas vidas e histórias que a atravessam. A EMEI Monteiro Lobato encontrou uma maneira profundamente humanizada de comemorar seus 70 anos de vida. Venha acender o seu coração com as 70 velas, que cada história vai alumiar. Serão 70 histórias, 7 a cada mês. Toda segunda-feira  e toda sexta-feira, uma nova história será compartilhada. Venha soprar essas 70 velas com a comunidade da EMEI Monteiro Lobato e acender o seu coração. 


https://www.youtube.com/watch?v=9WssPXddcig


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