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Mostrando postagens de dezembro, 2022

História de Vida 31 - História de Anita : "Licença para voar"

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Diz que era uma vez, uma menina que chegou ao mundo, mas logo perdeu-se de sua mãe-ventre. Mas Anita, esse é o seu nome, compreendeu a história de sua mãe e sua difícil trajetória e deu-lhe em troca do ventre, todo o seu coração. Ela ainda espera que um dia, haja um encontro entre mãe e filha. Ao menos, um encontro da filha para com a história da mãe-ventre. Quisera poder saber mais sobre ela. A mãe de Anita, antes dela nascer foi trabalhar como doméstica, na casa de uma família, que hoje é a sua, que morava em Higienópolis. Perceberam que a mãe de Anita estava grávida e quando foram lhe perguntar, souberam que colocaria seu bebê para adoção. Essa família então, para qual sua mãe trabalhava, resolveu adotar Anita. Depois disso, nunca mais souberam de sua mãe-ventre. Anita ganhou uma mãe e uma família. Ganhou uma irmã e um irmão. Quando Anita era criança, sendo uma menina negra e estudando em tantos colégios, onde só estudavam brancos, vendo seu irmão e irmã brancos, ela achava que era ...

História 30 - História de Rosemary: "De uma cartilha do ABC, um caminho para a vida"

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  Diz que era uma vez, uma mulher chamada Rosemary, que vivendo em São Paulo desde sempre, achou que fosse paulistana. Mas que nada, tinha nascido em Goiás, onde seus pais também haviam nascido. Os pais se conheceram em São Paulo, trabalhando e muito, o pai em uma padaria e a mãe como faxineira e manicure. Quando o pai conseguiu alugar uma kitinete, Rosemary veio com um mês de vida, morar em São Paulo. Durante a gravidez, a mãe de Rosemary foi para Góias ter o bebê e só depois veio encontrar o marido. Rosemary adoraria saber mais, dessa parte da história de sua vida, lá para as bandas de Goiás e saber de seus avós e de todos. Mas pouco ela sabe, pois ninguém quer contar mais. Os que sabiam contar se calaram, talvez porque ninguém mais tivesse perguntado ou deixado o coração aberto para escutar. Toda família tem seu contador de histórias, aquela pessoa que ouvindo bem, o que diziam os mais velhos e guardando bem os acontecimentos, sabe contar os feitos da família. Mas é triste quand...

História 29 - História de Lucimeire: "Nas linhas-surpresas do caminho, uma mãe e um menino"

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      Diz que era uma vez, uma mulher chamada Lucimeire, que quando menina, viu passar o cometa Halley. O pai a levou em outra cidade, para observarem esse grande acontecimento. Ela e suas amigas combinaram de ficarem vivas, até os seus 89 anos, para olharem mais uma vez, o cometa passar pela órbita da terra. Lucimeire só por causa do cometa, até sonhou em ser astronauta. Isso não aconteceu porque seu sonhar no mundo, não seguiu as estrelas, mas as linhas e sinuosidades, que o ser humano constrói, até mesmo inspirando-se na geometria do universo. Formou-se em arquitetura. Ela nem se preocupa se de fato, ainda estará viva para ver o cometa passar. Ela já considera que o cometa passou duas vezes em sua vida, pois recebeu um presente, com o qual ela não contava: seu filho, Dante. Foi quase uma carona na cauda do cometa, quando seu menino nasceu e ele tem mesmo, um brilho diferente nos olhos e a faz olhar para o "além" das coisas. Ele não estava nos planos da vida de Luc...

História 28 - História de Agostinho: "Mãe, o Brasil chegou atrasado, mas nós, chegamos juntos!"

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  Diz que era uma vez, um menino das Minas Gerais, da roça, lá das beiradas do Rio Preto, que um dia chegou a São Paulo, na década de 1970. Vinha junto da mãe, dos irmãos e avós. Vinha com sua mala. Uma mala de brinquedos. Na época, a rodoviária de São Paulo ficava na Duque de Caxias. O menino nunca tinha visto luz elétrica. A rodoviária tinha um teto colorido, que iluminado pelas luzes fez o menino andar de olhos para cima e no encantamento dos vitrais, de uma beleza nunca vista antes, esquecer do tesouro seu. E aquele encantamento do menino, logo virou uma tristeza, com sua mala de criança esquecida pelo caminho. Esse menino, um dia cresceu e nunca deixou de olhar para os lados e ver se por um acaso, sua mala de brinquedos, estaria ainda, pelo caminho. Caminhar para fazer caminho. Num Brasil tão desigual, a caminhada pode nem começar, por tanta falta. Mas quem sabe, se na sorte do destino, tu encontrares um professor, que lhe mostre a injustiça da mala vazia, talvez o caminho com...