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Mostrando postagens de setembro, 2022

História 20 - História de Aline - "Nascida mãe e sempre feminista"

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Diz que era uma vez uma menina chamada Aline, que já nasceu feminista. Sua mãe jamais alisou seu cabelo e nunca o deixou amarrado. Nada de saia, vestido e princesa. Shorts e liberdade no parque, esse era o lema. Seu sonho de menina era ser bancária, porque queria ser independente e ter um dinheiro bem seu, fruto de seu trabalho. Era o que sua mãe sempre aconselhava. Vocês, por favor, estudem, dizia, às duas filhas, e, não dependam de homem nenhum". Mas tudo na sua vida mudou e muito, quando ela tornou-se “a mãe”. Quando a maternidade é uma escolha e acontece num tempo bom, ainda que em meio à dificuldades, ela é grandiosa e muda todas as faces de uma mulher, de forma leve e certeira. Aline, quando menina, detestava ir à escola. Chorava, deitava-se no chão e inventava mil e um motivos para jamais ir. Era um sofrimento. Ela cresceu e tornou-se professora, por um acaso da vida. Aos 17 anos, já cursava pedagogia. Tudo, no entanto, ganhou um sentido bonito, mesmo, para sua prática diár...

História 19 - História de Cátia - "Uma vida entre avós"

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Essa é uma história de amor pelos avós, em duas gerações. A primeira geração começa com aquela que narra essa história. Cátia amava sua avó Madalena. Sua cozinha toda de madeira, a vitrola, as miniaturas de cristais. Cátia fazia tudo com a avó e morava nos fundos da casa dela, junto com seus pais e seu irmão. Seu irmão era louco pelo avô. Mas num dia triste e amargo, sua avó Madalena partiu. Cátia tinha cinco anos e passou a ser muito triste, entrar na casa e não encontrá-la. O avô pediu à seu pai que se mudasse para a casa da frente. Trocaram de casa. Aos poucos, o avô ia construindo uma casinha na chácara. No começo, era tudo bem simples e ela e o irmão, de quem Cátia era um grude, adoravam tudo. Não tinha chuveiro e tomavam banho de balde. Faziam guerra de travesseiro e era tão bom. O avô era fundamental naquela família. Mesmo com a partida de sua esposa, continuou firme como uma montanha. Quando se aposentou e sua casinha ficou pronta, mudou-se para a chácara. A casinha dos fundos ...

História 18 - História de Bruna - Inaugurar começos, como gosto bom de sorvete

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Diz que era uma vez uma mulher chamada Bruna. Sua história será contada num começo leve e bom, de uma menina que tinha o melhor pai do mundo. O aniversário do pai acontecia no dia primeiro de janeiro. Inaugurava o ano. Anos sempre gostosos, de uma família trabalhadora, que morava num prédio antigo, no centro de São Paulo. Uma mãe mineira e um pai baiano. A mãe trabalhava como diarista e cuidadora de idosos, dia e noite. O pai, então, cozinhava e passava muito tempo com as três filhas. Sexta era o dia da pizza. Sorvete no centro da cidade começava primeiro tentando avistar o horizonte, embaçado de prédios. Da janela do apartamento, ela e o pai olhavam o prédio do Banespa. Bruna, dizia, "pai é muito longe". O pai baiano dava um de mineiro, "imagine, só, é pertinho". Os dias de sorvete ficaram no gosto da memória de Bruna. Era a procura do longe, primeiro, e depois, o gosto bom. Sorvete de mãos dadas com pai? Esses são inesquecíveis. Era uma menina danada e levada, ess...

História 17 - História de Eliane - "Tornar-se a mulher que se quer ver nascer"

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  Essa é uma história de coração comprimido e assustado, justo um coração nascido largo. Mas a vida, sempre guarda muitos finais, para melhores começos, pois são infinitas as possibilidades de mais uma vez, o dia raiar. Algumas vidas ficam muito perto do fogo. Queimadas, quase viram cinzas. Não aprenderam que o fogo precisa ser vigiado. É tão bom sentar-se em volta do fogo, observar todos os seus tons de laranja e sangue, todo o intenso calor. Mas hai que vigia-lo, para que não queime e para que não se apague. Nem toda mulher aprende cedo, com outra mulher, que o mundo ainda não é um lugar seguro para as mulheres. Nem toda mulher tem a companhia de outras mulheres, para serem abraçadas, diante da violência e da morte, de tantas outras mulheres. O feminicídio é uma realidade. Mas quem fala assim tão abertamente, como fato e não como algo, que jamais irá acontecer? Quem fala sobre a violência psicológica, sem antes culpar as mulheres? Quem reafirma que nunca se trata de ciúmes ou bri...

História 16 - História de Mariana - "Onde o sol e a lua brilham mais"

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  Diz que era uma vez, uma mulher chamada Mariana, sempre grávida de suas mulheres. Das mulheres todas de sua família, sua mãe, sua vó, sua tataravó. Mas quem ela pariu mesmo foram gêmeos, uma menina e um menino, Carmen e Leon. Uma menina e um menino, equilibrando e misturando, o masculino e o feminino, permitindo aos homens serem um pouco "lua'' e às mulheres, um pouco "sol". Liquefazendo fronteiras. Saboreando muitos papéis. Afinal de contas, Mariana guarda a vontade de estar no palco, como atriz. Esse sonho, ela vai colhendo, em tantos cantos do mundo. Depois de ter feito a vontade do pai, de ter estudado publicidade e ser muito bem sucedida, logo mais, chegará ao ponto de fazer a sua, como um dia fez sua avó, mãe de sua mãe. A avó separou-se de seu avô, o rei da Sucata e foi estudar geografia na Usp, até dar-se conta, de que seu caminho era a psicologia. Formou-se e foi morar em Olinda, trabalhando no CAPS. Acompanhar essa sua avó, mãe da mãe, coloriu a sua v...

História 15 - História de Leninha - "Manto estrelado - Para dar asas a quem precisa voar"

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Diz que era uma vez uma moça chamada Gilvanice. Até hoje ela não sabe a história de seu nome, muito menos por que, um belo dia, ela foi chamada de Leninha. Só o que ela sabe, é que se sente muito bem como Leninha. Então, sendo assim, essa é a história de Leninha, nascida em Pernambuco. Leninha carrega consigo um manto estrelado. O céu que ela vê em São Paulo, pode estar apagado de brilho, mas ela sabe que as estrelas ainda estão lá, como em Pernambuco. A beleza de sua infância é assim, apesar de apagada de seu brilho, por uma grande dor, ainda é um manto estrelado. Não é uma noite escura entre dois dias, que irá tirar de Leninha, o céu que acalentava as noites de sua família e que hoje, esquenta suas memórias. Algumas dores não devem ser esquecidas. Devem ser decoradas, para que não se repitam. Leninha era menina e teve que ganhar asas e voar  longe. Foi embora, voou alto, querendo apagar sua dor. Mas hoje sabe, que sua vida não é apenas essa dor e que ela precisa decorá-la bem, po...