História 19 - História de Cátia - "Uma vida entre avós"
Essa é uma história de amor pelos avós, em duas gerações. A primeira geração começa com aquela que narra essa história. Cátia amava sua avó Madalena. Sua cozinha toda de madeira, a vitrola, as miniaturas de cristais. Cátia fazia tudo com a avó e morava nos fundos da casa dela, junto com seus pais e seu irmão. Seu irmão era louco pelo avô. Mas num dia triste e amargo, sua avó Madalena partiu. Cátia tinha cinco anos e passou a ser muito triste, entrar na casa e não encontrá-la. O avô pediu à seu pai que se mudasse para a casa da frente. Trocaram de casa. Aos poucos, o avô ia construindo uma casinha na chácara. No começo, era tudo bem simples e ela e o irmão, de quem Cátia era um grude, adoravam tudo. Não tinha chuveiro e tomavam banho de balde. Faziam guerra de travesseiro e era tão bom. O avô era fundamental naquela família. Mesmo com a partida de sua esposa, continuou firme como uma montanha. Quando se aposentou e sua casinha ficou pronta, mudou-se para a chácara. A casinha dos fundos virou clube do Bolinha e da Luluzinha. Ela e o irmão brincavam muito, ali. Quando o irmão chegou à adolescência, trazia seus amigos para a casinha do fundo. Ele era um irmão camarada e sempre permitia que Cátia ficasse junto da sua turma. Cátia então, aproveitava e jogava pebolim, sinuca e baralho. A casinha do fundo tornou- se depois, a casa do irmão, que casou-se cedo. Cátia, assim que terminou o ginásio, não teve dúvidas e foi estudar magistério. Logo depois, pedagogia. A vida toda, sempre estudou perto de sua casa, em escolas públicas. A vida toda de menina, sempre brincava de escolinha e passava o dia, dando aula para seus alunos invisíveis. Essa foi, de fato, a sua vida. Passou trinta anos no magistério, sempre trabalhando em dois turnos. Quando somos crianças, parece que já sabemos bem o que iremos fazer, ao nos tornarmos adultos. Cátia cresceu e fez o que já fazia: dar aulas o dia inteirinho. Começou no estado e quando efetivou-se na prefeitura, após o concurso, permaneceu em duas escolas, uma no Jardim Ângela e a outra, no Jaraguá. A do Jardim Ângela era uma escola de ensino fundamental, pois era sua paixão alfabetizar. A do Jaraguá era uma escola de educação infantil. Mais tarde, passou a dar aulas, apenas na educação infantil. Quando sua filha nasceu, mesmo ao contrário do que diziam os médicos, de que ela não poderia engravidar, nasceu também, mais um amor entre avô e neta. Sua filha tinha uma ligação de almas gêmeas, com o avô e a avó. Seu pai e sua mãe recontavam a bonita história de serem um avô e uma avó apaixonantes. Enquanto Cátia trabalhava, seus pais passavam o dia, mimando a neta, Luiza. Quando tristemente, esse avô amado, partiu, essa neta que tanto lhe tinha amor, soube no coração. Luiza e a mãe estavam em casa. Ela olhou para Cátia e disse: "Mãe, o vô virou estrelinha". O coração é um "despertadorzinho", que nos avisa dos compassos e descompassos, das alegrias e das tristezas, das partidas e das chegadas. A vó, mãe de Cátia, veio morar com a família e a história de estar sempre perto dos avós, parece que vai perpetuando-se nessa família e que seja assim, por muitas gerações, o novo recebendo o velho, o velho abençoando o novo. Cátia aposentou-se na EMEI Monteiro Lobato e uma escola, não é esse lugar de partidas e chegadas, onde o novo e o velho caminham juntos, em longas e distantes gerações? E que seja assim, sempre, pois quem um dia foi criança, mais tarde quem sabe, também poderá ser mais um vô ou vó, a marcar para sempre, a história de outra criança. Quem um dia foi criança, quem sabe mais tarde, poderá ser um professor ou professora, a marcar para sempre, a história de outra criança. Roda bonita, que nunca para de girar: é a vida.
História de vida de Cátia
Escuta e escrita literária: Elaine Dauzcuk
Link para escutar a história de Cátia:

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