História 23 - História de Roberta: "De uma professora fez-se aluna. De uma aluna, professora"
Diz que era uma vez, uma professora que deu aulas na Emei Monteiro Lobato, por quinze anos. Mas muito antes disso, aos quatro anos, essa professora, chamada Roberta, começou a escrever uma história bonita com a Emei Monteiro Lobato, pois também foi aluna. Roberta, quando era pequena, todos os dias, saía com a mãe e seus três irmãos. Era uma escadinha de quatro, saindo da Rua Augusta até ao Parque Buenos Aires. Sua mãe deixava na Emei Monteiro Lobato, seus dois irmãos mais velhos. Depois, deixava ela e a irmã caçula, num espaço para crianças, para que pudesse ir trabalhar. Seus irmãos mais velhos, adoravam a Emei. Sua mãe, então, falava sempre muito bem de tudo, e, principalmente, da professora Iara. Aliás, Iara, percebendo a rotina cansativa dessa mãe, de quatro filhos, arrumou uma maneira de adiantar a entrada de Roberta, à escola. Faltavam alguns meses, ainda, pela sua idade, mas ela foi matriculada um pouco antes e sentia-se tão importante quanto seus irmãos. Comemorou a entrada naquela escola bonita e cheia de árvores. A escola era imprescindível na vida dessa família. Era assim, que a mãe de Roberta conseguia trabalhar. Era uma família amorosa, a de Roberta. As crianças tinham o direito de desenhar na parede. Seu pai levava os filhos para brincar, em muitos parques da cidade. O gostoso era quando chegavam as férias e Roberta e seus irmãos iam para o sítio da tia, em Bragança Paulista, que também tinha quatro filhos. A tia ficava com oito crianças e eles faziam uma grande festança. Mesmo morando em apartamento, Roberta e seus irmãos brincavam muito. Faziam muitas cabanas. Seu pai e sua mãe, nunca deixavam os filhos, sem um espaço para brincar. A vida toda, Roberta cresceu ouvindo a mãe falar bem da escola, da Emei Monteiro Lobato e da professora, Iara. Até o dia em que a mãe olhou bem para a filha e disse-lhe: você será professora. Roberta não contestou nem um pouco. Assim que terminou o ginásio, a mãe a matriculou no Magistério. Parece que a mãe, não estava apenas, fazendo uma vontade sua. Talvez estivesse mesmo, enxergando mais que a filha. Roberta, de fato, apaixonou-se pela profissão de professora. Quando terminou o magistério, fez o concurso pela prefeitura e passou. De novo, sua mãe com suas frases imperativas, que imperavam no que acontecia e no coração de Roberta. A mãe de novo, olhou bem para a filha e disse-lhe: "Você vai trabalhar na Emei Monteiro Lobato". Só tinha uma vaga para professor, na Emei Monteiro Lobato. Como profetizou sua mãe, foi Roberta quem a conseguiu. A vida gira e gira, e, às vezes, todos vão se reencontrando. A vida de um professor ou professora é girar essas cirandas, que vêm e vão. É formar crianças e depois, num assombro, trabalhar junto com os pequenos alunos, agora, grandes colegas. A ciranda rodou e a aluna Roberta, veio ser a colega de trabalho, da tão querida professora, Iara. Aliás, acabou assumindo sua sala, quando ela se aposentou. A querida professora, Iara, tão grande no imaginário de Roberta, pelo tanto que a mãe falava e a reverenciava, passou seu bastão, justo para ela. Gira a roda, gira a vida. Da mesma forma, Roberta vai vendo as crianças crescerem e depois voltarem, grandes, saudosas de sua professora. Todo amoroso educador deixa sempre muitas crianças saudosas, desse tempo, em que somos iniciados, em tantos conhecimentos. Por quinze anos, Roberta permaneceu dando aulas na Emei Monteiro Lobato. Foi doído deixar a escola querida. Foi doído deixar essa São Paulo, o centro da cidade, tão amado, na sua infância. Mas toda mudança, assim aconteceu, para que sua mãe, já idosa e precisando de muitos cuidados de saúde, encontrasse paz e sossego. Roberta, seu companheiro e a mãe, foram para Jundiaí. Só o que sua família não sabia é que na nova cidade, na nova casa, eles teriam uma família enorme e canina. Roberta sempre teve paixão por cachorros. No interior, ela encontrou um cãozinho abandonado e foi aparecendo outro e mais outro. Todos foram encontrados em situações muito tristes. Roberta parece uma encantadora de cachorros. Eles vivem tranquilos, em ciranda bonita. Vivem numa paz difícil de acreditar, essa família humana e canina. Encontraram um silêncio, que nem conheciam mais, depois de tanto tempo passado numa grande cidade. A saudade ainda dói, mas Roberta carrega consigo as histórias todas, pois para onde vamos, nossas histórias vão conosco. São as nossas histórias e a de tantos, que nos rodeiam, que dão sentido ao mundo. E diz-se, que foi bem assim e ainda é.
História de vida de Roberta
Escuta e escrita literária: Elaine Dauzcuk
Link para escutar a história de vida de Roberta:

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