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História 27 - História de Cláudia Rosa - "Às mulheres, que muito me amaram"

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  Essa é uma história que narra, algumas das linhas da vida de uma mulher. Conquanto, essas linhas vêm entrecortadas, como veios de rio, de tantas outras linhas da vida, de outras mulheres. São as mulheres de Cláudia Rosa. Brota no coração de Cláudia Rosa, como uma nascente, uma grande vontade de honrar, cada uma delas. A personagem central dessa história, como já foi dito, chama-se Cláudia Rosa. Nascida em São Paulo, mas filha de uma mãe carioca, de Natividade e de um pai nordestino, de Atalaia, sertão de Alagoas. Dessa união, nasceram três filhas. Cláudia Rosa é a caçula. Nascida, quando suas irmãs já eram maiores, numa outra fase de vida, de sua mãe. Sua mãe era uma mulher que sustentava sua família, a mãe e os irmãos. Trabalhou na indústria da Colgate, como chefe de uma seção. Compreendia o inglês, mesmo tendo frequentado bem pouco a escola e amava o conhecimento. Gostava de cinema e de ler. Era uma mulher considerada muito bonita, vaidosa e inteligente. O pai de Cláudia Rosa f...

História 26 - História de Lilian: "Do ofício de professora, lapidar a sua joia"

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  Diz que era uma vez, uma mulher chamada Lilian, que desde menina, sabia o que gostaria de ser nessa vida. Lilian tornou-se mulher e professora e realizou na sua vida, o sonho da menina que ela foi. Quando pequena foi sabendo aos pouquinhos, desse seu sonho. Tudo, porque observava sua mãe, uma grande professora. Sua mãe não era apenas uma grande professora, ela era uma mulher sábia. Resolvia conflitos, tinha escuta amorosa. Era uma pérola e todos reconheciam isso. Muitas pessoas a procuravam, desde às crianças até aos pais e mães, colegas de trabalho, somente para escutar suas sábias palavras. Lilian nasceu no Rio de Janeiro. Morava em frente à praia. De manhã, brincava na praia e à tarde, ia para a escola. Nas férias, continuava indo para a escola, acompanhando a mãe em seus trabalhos. Ela se lembra com carinho, que em frente à escola, havia uma padaria grande e sempre que acompanhava a mãe, nos recessos, elas comiam pão quentinho com mortadela. Lilian vivia de olhos na mãe, nos ...

História 25 - História de Aline: "Para quem teve asas, sem tirar os pés do chão"

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Diz que era uma vez, uma mulher chamada Aline, que desde menina, sabia bem o que gostaria de ser: uma professora. Assim aconteceu e não poderia ser diferente. Afinal de contas, Aline tinha uma mãe, que pedalava contra o tempo, para estudar. Há algumas décadas passadas, já no mundo contemporâneo, ainda assim, as mulheres só estudavam mesmo, muitas delas, até o quarto ano. A mãe de Aline, com três filhos e um marido que trabalhava como caminhoneiro, o que a deixava muito sobrecarregada, pelo tanto que ele viajava, mesmo assim, queria terminar os estudos. Era isso o que a Aline via quando era menina: uma mãe que deixava os filhos na escola e de bicicleta, também ia estudar. Essa mãe fazia de tudo para os filhos estudarem. Os irmãos de Aline não puderam frequentar a educação infantil, antigamente chamada de "prezinho", porque eles moravam muito longe. Porém, quando chegou a vez de Aline, a caçula, sua mãe encontrou uma maneira, até porque ela também queria estudar. Na ida, a mãe ...

História 24 - História de Regina : "Uma professora anunciada"

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  Diz que era uma vez e ainda é, uma professora chamada Regina, que passou a sua vida lecionando em escolas municipais. Em 2018, chegou à EMEI Monteiro Lobato, após ter se aposentado na rede municipal de Taboão da Serra. Chegar à EMEI foi para Regina, como aportar no paraíso. Para ela, uma das escolas mais bonitas em que já trabalhou. Quando ela olha para essa escola, só consegue pensar na menina serelepe, que ela já foi e ainda é. Em como ela teria gostado de brincar e balançar, num parquinho tão cheio de árvores e vida. Essa menininha que ela já foi, brincava e muito, numa rua de terra, na zona leste de São Paulo. Sempre junto de sua irmã, com quem ela aprontava. A mãe sempre comprava dois yakults, para cada uma das filhas. Disfarçadamente, Regina, furava os dois yakults da irmã e colocava leite no lugar. A irmã sempre dizia que tinha gosto de leite. A mãe dizia que era assim mesmo, uai, o que mais ela queria. Até o dia em que a mãe experimentou, após tanta reclamação, da filha m...

História 23 - História de Roberta: "De uma professora fez-se aluna. De uma aluna, professora"

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  Diz que era uma vez, uma professora que deu aulas na Emei Monteiro Lobato, por quinze anos. Mas muito antes disso, aos quatro anos, essa professora, chamada Roberta, começou a escrever uma história bonita com a Emei Monteiro Lobato, pois também foi aluna. Roberta, quando era pequena, todos os dias, saía com a mãe e seus três irmãos. Era uma escadinha de quatro, saindo da Rua Augusta até ao Parque Buenos Aires. Sua mãe deixava na Emei Monteiro Lobato, seus dois irmãos mais velhos. Depois, deixava ela e a irmã caçula, num espaço para crianças, para que pudesse ir trabalhar. Seus irmãos mais velhos, adoravam a Emei. Sua mãe, então, falava sempre muito bem de tudo, e, principalmente, da professora Iara. Aliás, Iara, percebendo a rotina cansativa dessa mãe, de quatro filhos, arrumou uma maneira de adiantar a entrada de Roberta, à escola. Faltavam alguns meses, ainda, pela sua idade, mas ela foi matriculada um pouco antes e sentia-se tão importante quanto seus irmãos. Comemorou a entra...

História 22 - História de Dilma: "Será um rio? O que ela segue?"

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  Debaixo de tanta rua desta cidade de São Paulo tem rio. Rios silenciados por toneladas de concreto e diz que nessa grande cidade, mora uma mulher, de nome, Dilma. Filha de migrantes nordestinos, trabalhadores rurais de Alagoas. Essa mulher sempre acreditou que seus pais tinham vindo para São Paulo, como tantos outros nordestinos o fizeram, na tentativa de melhores empregos ou para fugir de uma das grandes secas. O nordeste é regido por rios e principalmente pelo velho Chico. É difícil para um nordestino chegar em São Paulo e andar por cima de um rio amordaçado por concreto. Sem canoa, sem travessia é preciso inventar um sentido. No caso de Dilma, mais um outro sentido, porque sua família não veio para São Paulo em busca de uma vida melhor. Seu pai veio para fugir de um grande conflito, em sua família, e, que na verdade, é a grande contenda do Brasil. Porém, Dilma, apenas descobriu isso, depois de mulher feita, depois da mãe já ter partido dessa vida, depois de fazer uma travessia...

História 21 - História de Marineide - "Brasil, você guarda as suas crianças? A história de quem foi criança sem direito de Ser"

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  A história de quem foi criança sem direito de ser Essa é uma história que começa na Bahia, na cidade de Senhor do Bonfim. Marineide era só uma menina, dos sete filhos de sua mãe e de seu pai. Sua mãe trabalhava todo santo dia, do escuro do dia ao escuro da noite. O pai só sabia chegar, junto com a bebida, e, colocava os filhos, todos de cara para a parede. Num castigo, que só terminava, quando a mãe chegava. Que felicidade dessas crianças, quando essa mãe abria a porta. O pai morreu, quando Marineide tinha 4 anos, ela ainda se lembra do dia em que a mãe a levou, junto de todos os seus irmãos, para ver o pai no hospital, com derrame, já não falando mais. Foi uma triste despedida. Aos 5 anos, ela foi enviada para São Paulo, na casa da madrinha. Porém, nessa casa, ela não conheceu uma segunda mãe e sim, uma madrasta. A violência parte dos homens e termina nas crianças. Hoje, essa madrinha, mais velha, trata bem os seus filhos, mas naquela época sua, de criança, ela judiava. O que sa...

História 20 - História de Aline - "Nascida mãe e sempre feminista"

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Diz que era uma vez uma menina chamada Aline, que já nasceu feminista. Sua mãe jamais alisou seu cabelo e nunca o deixou amarrado. Nada de saia, vestido e princesa. Shorts e liberdade no parque, esse era o lema. Seu sonho de menina era ser bancária, porque queria ser independente e ter um dinheiro bem seu, fruto de seu trabalho. Era o que sua mãe sempre aconselhava. Vocês, por favor, estudem, dizia, às duas filhas, e, não dependam de homem nenhum". Mas tudo na sua vida mudou e muito, quando ela tornou-se “a mãe”. Quando a maternidade é uma escolha e acontece num tempo bom, ainda que em meio à dificuldades, ela é grandiosa e muda todas as faces de uma mulher, de forma leve e certeira. Aline, quando menina, detestava ir à escola. Chorava, deitava-se no chão e inventava mil e um motivos para jamais ir. Era um sofrimento. Ela cresceu e tornou-se professora, por um acaso da vida. Aos 17 anos, já cursava pedagogia. Tudo, no entanto, ganhou um sentido bonito, mesmo, para sua prática diár...

História 19 - História de Cátia - "Uma vida entre avós"

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Essa é uma história de amor pelos avós, em duas gerações. A primeira geração começa com aquela que narra essa história. Cátia amava sua avó Madalena. Sua cozinha toda de madeira, a vitrola, as miniaturas de cristais. Cátia fazia tudo com a avó e morava nos fundos da casa dela, junto com seus pais e seu irmão. Seu irmão era louco pelo avô. Mas num dia triste e amargo, sua avó Madalena partiu. Cátia tinha cinco anos e passou a ser muito triste, entrar na casa e não encontrá-la. O avô pediu à seu pai que se mudasse para a casa da frente. Trocaram de casa. Aos poucos, o avô ia construindo uma casinha na chácara. No começo, era tudo bem simples e ela e o irmão, de quem Cátia era um grude, adoravam tudo. Não tinha chuveiro e tomavam banho de balde. Faziam guerra de travesseiro e era tão bom. O avô era fundamental naquela família. Mesmo com a partida de sua esposa, continuou firme como uma montanha. Quando se aposentou e sua casinha ficou pronta, mudou-se para a chácara. A casinha dos fundos ...

História 18 - História de Bruna - Inaugurar começos, como gosto bom de sorvete

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Diz que era uma vez uma mulher chamada Bruna. Sua história será contada num começo leve e bom, de uma menina que tinha o melhor pai do mundo. O aniversário do pai acontecia no dia primeiro de janeiro. Inaugurava o ano. Anos sempre gostosos, de uma família trabalhadora, que morava num prédio antigo, no centro de São Paulo. Uma mãe mineira e um pai baiano. A mãe trabalhava como diarista e cuidadora de idosos, dia e noite. O pai, então, cozinhava e passava muito tempo com as três filhas. Sexta era o dia da pizza. Sorvete no centro da cidade começava primeiro tentando avistar o horizonte, embaçado de prédios. Da janela do apartamento, ela e o pai olhavam o prédio do Banespa. Bruna, dizia, "pai é muito longe". O pai baiano dava um de mineiro, "imagine, só, é pertinho". Os dias de sorvete ficaram no gosto da memória de Bruna. Era a procura do longe, primeiro, e depois, o gosto bom. Sorvete de mãos dadas com pai? Esses são inesquecíveis. Era uma menina danada e levada, ess...